Entre visitas ao Oriente Médio, Obama esmaga esperanças árabes

sexta-feira, 22 de março de 2013 18:03 BRT

Por Tom Perry

CAIRO, 22 Mar (Reuters) – O presidente norte-americano, Barack Obama, foi recebido com gritos de “amamos você” em sua visita ao Egito no primeiro mandato, buscando virar a página da era Bush e relançar as relações dos Estados Unidos com o mundo islâmico.

Quatro anos depois, os egípcios que assistiram àquela fala dele na Universidade do Cairo se sentem traídos, ainda mais depois da demonstração de apoio dada nesta semana por Obama a Israel durante sua visita ao Estado judeu.

“Se eu visse Obama hoje, eu diria: ‘O que aconteceu?'”, disse Ahmed Samih, de 34 anos, um dos vários manifestantes pró-Obama na visita de 2009. Na época, o presidente atraiu simpatia ao citar passagens do Alcorão e defender o fim de um “ciclo de suspeita e discórdia” com o mundo muçulmano.

Houve quem saísse de lá achando ter visto algo histórico e citando a firme postura de Obama contra os assentamentos judaicos como exemplo de uma mudança. Mas, em geral, pouca coisa mudou na política dos Estados Unidos para o Oriente Médio, que muitos aqui veem como tendenciosa pró-Israel.

Para o jornalista Ezzat Ibrahim, que também esteve no discurso de 2009, as atuais turbulências na região -as revoltas da Primavera Árabe nos últimos dois anos e a atual guerra civil síria- “o fizeram aprofundar sua relação estratégica com Israel”.

A desilusão foi reforçada pela calorosa recepção dada a Obama pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com quem o presidente dos Estados Unidos havia tido frequentes atritos no seu primeiro mandato.

“Há uma nova química entre eles”, disse Ibrahim. “As pessoas estão muito desapontadas com essa relação calorosa.”

Ao falar na quinta-feira a estudantes em uma universidade de Jerusalém, Obama teve uma acolhida tão calorosa quanto a do Egito há quatro anos. Ele defendeu a paz, mas não ofereceu nenhuma nova ideia sobre como retomar o processo de paz entre palestinos e israelenses, interrompido desde 2010. Os palestinos atribuem esse colapso à insistência israelense em ampliar seus assentamentos em território ocupado.

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE92L07I20130322

 

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